Falar sobre crianças

21 Outubro 2026

Pequenos passos para comer - Parte 2

Pequenos passos para comer - Parte 2


Como prometido, voltamos a trazer o tema sobre a transição entre o peito e o biberão e de como é um processo que afeta o bebé, mãe e todo o resto da família. 


Para retomarmos este tema, iniciamos com a experiência do primeiro biberão. É uma situação única, não sabemos de nada e muito menos como o bebé irá reagir. Fomos descobrir um pouco mais sobre esta experiência.  


Acreditamos que a mãe possa ficar nervosa, o que é perfeitamente normal. Se houver uma rejeição por parte do bebé, podemos pedir ao pai ou outra pessoa que lhe dê o biberão. Não podemos entrar em pânico. Os primeiros dias podem ser confusos para o bebé, poderá estranhar, mas com o passar do tempo, acabará por se habituar.


Uma dica que encontrámos: podemos dar o biberão com o leite materno. Embora o bebé possa estranhar, pela temperatura ou pelo cheiro, vai ter o mesmo sabor. No caso de querer passar de leite materno para leite infantil, devemos ser pacientes e acreditar que o pequeno irá acabar por se habituar e as suas papilas gustativas passarão a gostar. 


Além desta dica principal, deixamos outras que encontrámos e que podem complementar a experiência do primeiro biberão:

  • No final do biberão, devemos colocar o bebé direto e confortável para arrotar;
  • A partilha do momento do biberão com o pai é uma mais valia, pelo facto de existir aqui um espaço de reforço da ligação do bebé com o pai e o pequeno começa a habituar-se a ser alimentado por outras pessoas;
  • Esterilizar sempre os biberões e respetivas tetinas, tendo em conta sempre as instruções;
  • É essencial seguir as instruções de preparação e preservação, no caso de estar a utilizar leite de fórmula;
  • Devemos pedir auxilio ao médico na escolha do leite de fórmula mais adequado;
  • Qualquer resto que fique no biberão de leite o mais cedo possível ou num prazo de uma hora, deverá ser colocado de parte;
  • Devemos agarrar o biberão a meio e incliná-lo de forma que a tetina esteja sempre cheia de leite , de forma a que o pequeno engula a menor quantidade possível de ar;
  • Para o biberão, podemos segurar a cabeça do bebé com o nosso antebraço e apoiar o cotovelo no braço do sofá;
  • Posta a babete, podemos agitar o biberão e assegurar-nos de que a temperatura é a adequada, testando com o cair de algumas gotas na parte interna do pulso;
  • Em breve, conseguiremos perceber sinais como "estou saciado" ou "estou com fome";
  • Devemos procurar a melhor tetina para que o bebé se sinta confortável;
  • A procura de um lugar sossegado é essencial para estes momentos;
  • Um sinal positivo é quando começam a aparecer as bolhas de ar ao longo da parede do biberão. Caso contrário, podemos sempre desapertar um pouco argola e segurar na tetina. 

A toma do biberão pode, algumas vezes, não correr tão e, por isso, encontrámos algumas soluções para determinadas situações que possam ocorrer:

  • O bebé pode engasgar-se, o que nos leva a considerar a velocidade com que o leite está a sair do biberão — um aperto na tetina pode ser o suficiente;
  • O bebé pode não arrotar na posição em que está, pelo que é necessário recorrer a outra posição ou fazer com que arrote a meio da refeição;
  • Se estiver a ser difícil extrair o leite, podemos optar por tetinas de borracha, que são mais flexíveis e suaves;
  • Se a toma do biberão estiver a ser a uma eternidade, podemos desapertar ligeiramente a argola que segura a tetina para que o leite saia de forma mais rápida. 


Como já mencionámos na parte 1 deste tema, poderá existir ou não facilidade por parte do bebé em se adaptar rapidamente ao biberão. Consideramos que, uma boa ou menos boa adaptação, terá sempre de existir uma transição gradual. Explicar o que irá acontecer ao bebé (mesmo que achemos que não valerá a pena), referindo que irá começar a comer como os crescidos, mas que os pais nunca sairão da beira dele/dela. A substituição lenta, começando por pequenas refeições será a melhor opção. No caso de uma transição mista, alternar entre o peito e biberão é essencial. Pedir ajuda também é perfeitamente normal, seja alguém a dar o biberão ou mesmo a um especialista. Passo pequenos, mas importantes. 


Nas nossas pesquisas, encontrámos um exemplo de 15 dias de transição para o biberão (atenção é apenas um exemplo e pode não ser adaptado a toda as situações):

  • No primeiro 3/4 dias, podemos substituir a mamada da tarde por um biberão com o leite materno;
  • Nos 3/4 dias seguintes, as mamadas de meio do dia e meio da tarde podem ser substituídas por biberões de leite infantil (recomendado pelo médico) para o pequeno;
  • Nos próximos 3/4 dias, podemos incluir o biberão no almoço;
  • Nos dias seguintes, já poderá existir uma melhor aceitação e poderemos realizar todas as refeições — exceto a primeira ou a última —  com biberão. 


Realmente, é um processo que exige tempo e toda a compreensão. É uma fase importante de ser realizada da melhor forma, em que o bebé se sinta confortável, a mãe apaziguada com a reação do pequeno e que toda a família esteja confiante com todo o processo. 


Esperamos ter ajudado. Deste lado, conseguimos perceber que é um desafio, mas sabemos que os nossos pequenos se adaptarão, as mães ficarão tranquilas e a família ficará muito contente. 


E vocês? Queremos que nos contem como procederam a esta transição. Algum contratempo? Demorou a aceitar? Queremos saber a vossa experiência. Queremos saber a vossa opinião. 

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