Falamos aqui muitas vezes sobre as várias fases que o bebé é sujeito no que toca à alimentação. Sabemos, também, que é um processo que deve ser abordado com muito cuidado e de forma gradual, evitando os potenciais choques entre os pequenos passos que se possam realizar.
Quando abordamos o tema da alimentação, é inevitável não tocarmos no assunto da transição entre o peito e o biberão. Garantir que o bebé faça esta transição de forma suave é o objetivo principal. Desta forma, iremos dividir este tema em duas publicações. Hoje, iremos abordar a primeira parte sobre a transição e os principais aspetos a ter em conta. Fomos fazer as nossas pesquisas.
A primeira ideia que retiramos é que o primeiro biberão de leite nem sempre corre bem. Poderá existir rejeição de qualquer opção que não seja o peito. As duas transições — mistas (biberão + peito) ou de peito para biberão — requerem semanas de preparação. O bebé terá que se adaptar ao biberão e às suas características. Por outro lado, a mãe também passará por um processo de adaptação a uma nova realidade e a uma "nova separação", pois ficará mais sensível e emocionada com a reação que o seu pequeno possa ter.
Já percebemos que é um processo que deverá ser levado com calma, paciência e muita doçura. O pai, em todo este processo, acreditamos que se sentirá também um pouco confuso, mas será um elemento chave sempre, mas em particular neste processo. Ser paciente e gerir da melhor forma serão ferramentas importantes e que farão toda a diferença.
O papel do pai representa a independência e a abertura ao mundo. Pode assumir um papel de terceiro interveniente entre o bebé e a mãe, de forma que haja aqui um equilíbrio na relação mãe-bebé e facilitar esta separação física e simbólica entre a mãe e o pequeno. É um moderador que acompanha a família, incluindo os irmãos, pois todos passam ou são influenciados por esta fase.
Com a chegada do biberão, existem várias adaptações. É a segunda separação e um período de reaprendizagem. Do lado do bebé, deixará a comodidade do peito da mãe, feito à medida, para a tetina do biberão. Irá percecionar o momento de refeição longe da mãe e passará a ter uma rotina diferente da que já se encontrava habituado. Por outro lado, a mãe terá um processo de adaptação, pois é algo que influencia em termos físicos e psicológicos, como a produção de leite e evitar condições no seu peito como mastites.
Gostaríamos de saber qual seria a melhor ocasião para se realizar esta transição, mas a resposta é que não existe o momento mais apropriado. É um processo próprio e individual, no sentido de a sua iniciação e duração depender da forma como o bebé e a mãe se irão adaptar. Consideramos que seja algo que deva ser decidido em casal, para ser criada uma dinâmica boa e confortável para o bebé e para os pais. Um aspeto mencionado está relacionado com a preparação e com quanta antecedência, pois quanto melhor for esta parte, melhor irá ser a transição.
Outro aspeto que torna esta transição um pouco difícil é a diferente sucção do leite na tetina do biberão. No peito, o bebé abria bem a boca e colocava o mamilo encostado à zona mole do céu da boca e, achatando a aréola e o mamilo com o maxilar e com a língua, faz com o leite saísse. No biberão, a tetina é mais rígida e entra sem esforço na boca do bebé, saindo o leite de forma mais rápida.
Acreditamos que esta transição possa ser um pouco desestabilizadora. Afinal de conta, estamos a falar de uma mudança de hábito e de uma separação numa relação com uma ligação tão forte. O pequeno terá que se habituar a um novo leite, o que explica a relutância e algum desagrado que podem transmitir através do choro.
Sendo uma transição que traz bastantes mudanças na vida do bebé, é necessário que não deixemos o nosso pequeno na expectativa. Para isso, vimos algumas dicas de como ajudar o bebé a habituar-se da melhor forma de se alimentar:
- Devemos falar com o bebé sobre as mudanças que irão ocorrer — os detalhes e mesmo as novas experiência que irá descobrir;
- No momento de dar o biberão, poderá ser dinâmico e ser dado por várias pessoas (ex: o pai, a amiga, a avó, entre outros), no sentido em que a mãe poderá ter algum tempo para si, visto que até agora esse momento teria de ser necessariamente apenas entre os dois.
- Algum sentimento que possamos sentir, não devemos escondê-lo, pois é normal num processo em que existe uma redução progressiva na amamentação ao peito.
Conseguimos perceber que é um processo que demora o seu tempo, seja na sua preparação, seja no momento em que está a acontecer. Para tal, consideramos que seja importante dividir este tema em duas partes, pois é extenso e requer a nossa atenção. É algo importante para o bebé e mãe, mas também para a toda a dinâmica familiar.
E vocês? Mães que estão por aí, como esta a correr este processo? Mães que já passaram por esta fase, existe alguma dica que gostassem de partilhar? Como foi a reação do pequeno e como é que toda a família reagiu? Queremos saber a vossa experiência. Queremos saber a vossa opinião.





