Na fase de crescimento e desenvolvimento do nosso bebé, brincar é essencial para as crianças. Qualquer momento é uma oportunidade para jogarem um jogo, a própria visão que fazem de um certo objeto já é uma forma de brincar ou uma simples interação com outras pessoas passa a ser um momento de brincadeira. Conseguimos perceber que é ótimo para estimular os pequenos. São momentos em que os próprios pais ficam admirados com a rapidez com que os seus filhos aprendem e o quão criativos podem ser com um simples objeto.
Nos dias de hoje, os tipos de brinquedos têm vindo a sofrer uma grande transformação e evolução. É muito frequente ouvirmos os nossos pais a descreverem os jogos e brinquedos que jogavam na sua altura e, ao mesmo tempo, compararem com a diversidade de brinquedos que existem hoje. Contudo, esta diversidade deve-se muito À forma como o bebé irá abordar o brinquedo, pelo que nem precisa de ser um brinquedo, pode ser um simples objeto que à partida nós, pais, não pensamos como pode ser algo que entretenha o nosso pequeno. Na realidade, o bebé só necessita que o objeto esteja perto, começar a imaginar um cenário, achar piada a forma do objeto ou, até um simples tocar, ouvir ou ver aquilo o objeto já permite à criança aprender uma certa textura, um ritmo ou a forma como se coloca ou posiciona. É tudo uma questão de perspetiva e já sabemos que os nossos pequenos são especialistas em imaginar e ver aquilo que não conseguimos à partida logo perceber.
Hoje, decidimos perceber a relação entre as crianças e os brinquedos ou objetos que se transformam num momento de brincadeira. Recolhemos e analisámos algumas informações e ficamos fascinados com a evolução que os brinquedos e o momento de brincar tem vindo a ter em todo o processo de crescimento e desenvolvimento das crianças.
Em qualquer momento, dentro ou fora de casa, os pais levam sempre um brinquedo ou na altura em que necessitam de entreter os seus pequenos recorrem a um objeto que seja seguro e que permita o bebé explorar. Uma coisa é certa, as crianças sempre que tiverem um brinquedo na mão, serão capazes de criar um cenário óbvio para eles e terão um tempo bem passado.
Do lado dos adultos, existe uma tendência em transmitir objetos do "mundo dos adultos", reinventados ou adaptados, para permitir que comecem a participar numa cultura, sociedade ou género. O principal objetivo é que seja um momento de diversão com aprendizagem à mistura.
As pesquisas que nós fizemos relatam a figura do brinquedo como algo que tem vindo a sofrer transformações no seu significado, função e forma. Podemos começar por alguns bons anos, décadas, ou melhor, séculos atrás — na pré-história. Sim, já nessa altura eram inventados brinquedos para as crianças. No entanto, nessa época o brinquedo não era visto apenas com o propósito que tem hoje. Tinha de ser um objeto que transmitisse magia e, sobretudo, fosse algo que se tornasse crucial e importante naquilo que era a aprendizagem cultural dos adultos às crianças.
A partir do nascimento do bebé, um dos principais objetivos era a proteção de um ser pequeno e frágil. Além da figura mítica das fadas que protegem o berço do bebé, era necessário que todos os objetos fossem favoráveis à sua proteção e capazes de afastar qualquer tipo de ameaça. Pois bem, a origem do primeiro e considerado brinquedo do bebé é o guizo. Um objeto simples, em forma de disco ou de um animal, produzido em argila e metal, com pequenas pedrinhas ou sementes no interior. Este pequeno objeto tinha como principais funções entreter e proteger o bebé — o que diziam é que o som que produzia afastava os maus espíritos e as possíveis doenças que o pequeno pudesse ter. Outras característica do guizo era ser um instrumento de múcica cerimonial. Nesta altura e no mundo dos adultos, a definição entre um objeto sagrado e um brinquedo infantil não era clara e, por vezes, misturavam ambas.
Se passarmos para a Idade Média, os brinquedos começam a ser fabricados com ossos, corno ou até coral. O guizo continua a ser o brinquedo com propriedade mágica e medicinais, mas desta vez, haveria a possibilidade de estes objetos serem compostos por outro, prata ou marfim — uma característica que até poderia ser um incómodo para o bebé, pelo peso que poderia ter.
Uns séculos mais à frente, mais propriamente entre 1930 e 1940, o plástico veio permitir que os brinquedos das crianças fossem mais diversificados por serem mais leves, flexíveis, maleáveis, mais ou menos sólidos, pelo tamanho ou forma e completamente adaptáveis às crianças.
A partir destas décadas, começam a surgir os brinquedos que permitem ao bebé construir, inventar ou imitar os adultos. Bem, é a altura ideal para surgirem brinquedos como o Lego — construir as figuras que os mais pequenos desejam com tijolos miniatura. Nasceram aqui os jogos de construção e que ideia genial!
O século XXI veio permitir dar uma maior atenção à educação das crianças, pelo que os jogos começaram a ter uma vertente pedagógica associada, onde o conceito de "aprender a brincar" foi desenvolvido e adaptado às várias realidades.
A ideia anterior de que os jogos eram criados à base da noção de imitação, fazia com que os bebés arrastassem carrinhos feitos de barro, veículos com pedais ou carruagens levadas por animais. Tal noção de imitação, levou a incluir neste tema os conceitos de função social e diferenciação de sexos. Os meninos tendiam a reproduzir as ditas "atividades masculinas", através do que os seus irmãos ou pai realizavam. Para as meninas estava destinada a boneca que representava a imagem de uma mulherzinha que, por conseguinte, seria o reflexo do seu futuro papel na sociedade.
A Europa do século XXI, trouxe outra realidade do mundo dos brinquedos, como os soldadinhos, as barbies e aqueles que seriam os super heróis do novo mundo. Tendo em conta toda esta evolução e construção da imagem do brinquedo, numa fase em que as crianças absorvem as primeiras ideias de forma natural, podemos referir que existem fases de como os bebés utilizam e veem o propósito dos seus brinquedos.
As crianças têm uma grande capacidade de invenção quando estão no seu momento de brincadeira. Dão um sentido e uma vida aos seus brinquedos, em que a boneca pode representar tudo o que eles quiserem e o seu super herói preferido é o seu melhor amigo e juntos irão ajudar as pessoas e tornar o mundo num lugar melhor. Tudo é uma questão de perspetiva e é uma verdadeira válvula de escape para as crianças.
Um aspeto que descobrimos ao longo das nossas pesquisas, é que a sensação de destruir ou de derrubar algo é uma fase que por volta dos dois anos as crianças têm, antes de descobrirem o fascínio da construção e criação. Numa questão de minutos, o quarto ficam transformado num autêntico cenário de desarrumação.
Num mundo repleto de regras e limites, o momento para brincar com o seu jogo favorito é a oportunidade perfeita para as crianças poderem ter o seu espaço de imaginação e liberdade, o que se torna verdadeiramente importante para eles.
Desta forma, o psiquiatra infantil Winnicott define a distinção entre um jogo organizado, educativo ou social e, um jogo livre. O primeiro está associado a um momento de concentração e vontade de aprender da criança, em que os pais os ajudarão a perceber o seu funcionamento e a sua finalidade. O jogo livre é o oposto, é o imaginário da criança na sua pura essência de viver, onde os adultos não conseguem entrar. Este momento pode ser criado a sós ou na companhia de outras crianças.
Nestes momentos, os pais podem ter a preocupação de alguns comportamentos que os seus pequenos possam ter ou manifestar, como a falta de apetite, o que é perfeitamente normal. O que podemos assegurar aos pais é que estes momentos de brincadeira fazem parte da vida das suas crianças, tornam-nas mais felizes, pois encontram a sua verdadeira essência, onde tudo é possível e está tudo bem. Por todos os motivos que apresentamos hoje sobre este tema de evolução, de crescimento do papel do brinquedo na vida da criança até à sua influência no seu desenvolvimento, se os seus filhos deixarem os quarto de pernas para o ar, deixe que isso aconteça. Se isso fará as nossas crianças felizes, será um privilégio ver esses momentos, pois brincar faz com que as coisas façam valer a pena serem vividas. Irá chegar o dia em que eles irão aprender a organizar a desarrumação que criaram.
E vocês? Sabiam destes conceitos que foram sendo associados ao brinquedo? Como tem sido os momentos de brincadeira dos vossos pequenos? Queremos saber a vossa experiência. Queremos saber a vossa opinião.






